Dia desses, uma amiga de uma cidade vizinha, disse: - Ganhei 400 reais dos trouxas nesta eleição. Peguei cenhão de um, cenhão de outro e embolsei 400tão. Só não peguei mais porque estava com uma gripe muito forte que não conseguia sair de casa... Prometi votar em quatro candidatos e votei apenas em um.
E ria às gargalhadas.
Interessante o posicionamento de alguns políticos, assim como, do povo também.
Os pleiteantes aos cargos políticos se tornaram seres de carácteres tão vulneráveis que a adesão do eleitor às suas idéias, que deveria ser isentada de ânimos egoístas, dá se por interesses particulares e, na maioria das vezes, sem a devida responsabilidade para com o coletivo.
De dentaduras, óculos, tijolos, telhas, cestas de alimentos, passagem de ônibus para visitar um parente doente, jogo de camisa de futebol a outros mecanismos, os mais absurdos que a ganância possa produzir, constituem moedas de troca do jeito e gosto do freguês/eleitor.
Apenas alguns poucos minutos de fala mansa de um pretendente, claro, com as moedas mencionadas acima, para que sintam, alguns desavisados e despreocupados eleitores, de imediato, carinho e afeto por quem sempre souberam crápula.
Então o caráter tão vulnerável não é apenas dos pleiteantes.
O povo merece o governo que escolhe.
Como não somos perfeitos, é também verdadeiro o sentimento de deboche e de indiferença que nutrimos para com aqueles candidatos que não conhecemos – antipatia à primeira vista?
Há respeito sim, não tenho dúvidas, mas o preconceito impera. Sentimos um certo prazer, do alto da nossa arrogância, imaginando que aquele “mané-candidato-qualquer” está perdendo seu tempo em acreditar que as pessoas o consideram melhor do que ele realmente acredita ser. Afinal, todos nos temos em auta conta.
O “mané-candidato-qualquer” carrega, sem dúvida, a certeza de que terá uma votação expressivamente eleitoreira. (Na nossa Verde Cidade Canção, onde apenas 17 pessoas são escolhidas pelo povo, para as cadeiras públicas - 15 vereadores, o prefeito e o vice - boa parte do plantel de mais de 350 pleiteantes, ficou a ver navios).
Então. Estamos falando da pessoa pleiteante à Cadeira Encantada do Dindin Jorrante e Inesgotável, né?
Muitos desses, só porque se encontram naquele carguinho profissional que seus méritos lhe concederam, recebendo um bom ordenado, para fazer exatamente o que a função exige, ou seja, atender às pessoas com atenção e educação, acha-se no direito de candidatar-se como representante da comunidade em que vive.
Tsc, tsc, tsc... Mas até aí, tudo certo. Sem problemas. Democracia é isso. Todos temos os mesmos direitos.
Particularmente, não aprecio o fato das pessoas utilizarem das prerrogativas que lhes conferem os cargos, como se estivessem fazendo favores para o pobre pagador dos impostados impostos. Em algumas e muitas ocasiões, não satisfeitos com o seu status quo, os pleiteantes apropriam-se da função como sobrenome.
Daí, abandonando seus nomes de batismo e atendendo pela função exercida, enfieliram uma miríade de nomes e apelidos cujos significados são a função do sujeito do outro lado da mesa ou balcão:
Josemar Ceneiro, Cidoca Beleireira, Jocar Pinteiro, Jones Crivão, Creonice Cretária, Josefa Xineira, Davi Gia, Robert Orneiro, Policarpo Licial, Éden Genheiro, Jacozin Heiro, Jaime Cânico, Marco Retor, Matin Tureiro, Jocafe Irante, Edgar Çon, Evelize Ladora, Jacinto Cador e muitos outros representantes das diversas categorias profissionais.
Queria ver se tal profusão de candidatos seria a mesma, ao convite pra encher uma laje num sábado de sol escaldante ou num domingo de manhã...